Chegou-se a pensar que a pintura contemporânea necessitava ou produzia algo assim como “vitaminas”. Outros, como o publicitário Saatchi, falaram de um “retorno triunfal”, enquanto não faltaram os que voltaram a propor seu tom de carpideiras. Mas tanto o enterro quanto a recuperação espectral não servem para descrever a multiplicidade e intensidade das formas da pintura em nossa época. Tony Camargo demonstra que se pode realizar um projeto pictórico na hibridação da fotografia e da performance. Seus “quadros” são, na verdade, uma colagem na qual a astúcia está acima de todas as coisas. Vemos um personagem sustentando um balão ou outro coberto com um tecido que também “brinca” com balões, enquanto um terceiro parece que tenta pescar em uma plantação utilizando como isca um galão de água. O humor absurdo alivia as pretensões da abstração monocromática, mas, sobretudo, deixa aberta a interpretação. Camargo sabe que não existe lucidez sem ludismo e assim transforma sua obra em um terreno de sedimentação do diferente, ou seja, do divertido.

 

Fernando Castro Flórez (Fotomódulos)

Texto publicado no catálogo da V Bienal de Curitiba, realizada em 2009.